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Vou seguindo, fazendo pausas, deixando a poesia me guiar, algumas compartilho por aqui.
Todas fotografias deste blog foram feitas por mim.
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27/12/2008

Estações

Aratuba/Ce
Foto: Marli Reis


Fogo ardente
de folhas secas pelo chão,
lança chamas em festejos.
Lança seu calor
na neve derretida
dos incômodos!
Vem que sua claridade
resplandece ao longe,
sem esforço!
Traz a música em sua dança,
canta sua passagem
pela trilha das pedras!
Mas cumpre seu caminho
no círculo de águas cristalinas.
Espalha a certeza
da doçura do mel ainda na flor,
espalha o aroma da laranjeira
que se doa
e renova seus frutos
depois do outono!

***

Construção

Aratuba/Ce
Foto: Marli Reis



Era verde o altar.

Um raio de sol cintilou.

Uma névoa fria e branca,

quase verde,

enregelou as folhas,

atravessou a janela,

encheu o quarto

de brisa e silêncio.

A porta se abriu.

A luz entrou.


***

Visões

Nascer do sol - Quixadá/Ce

Foto: Marli Reis



Tudo mais passará,

percorrerá distâncias ao longe

no horizonte claro de nossas vidas.

E o que sinto pelo presente que não vivi

é meu,

o meu acordar

é seu,

as minhas flores

são suas,

o tempo vivido

é parte do meu ser.

Sua música

no infinito do espaço

preenche de luz

as imagens da minha alma.

A felicidade grita

no gosto doce do que ficou.

Silencie,

se tiver vontade.

Fale de mim ao seu coração

no presente

ou no futuro

do tempo de nossas vidas,

mas diga a ele

que meu acordar

é seu.


***

Transparência

São Paulo/SP
Foto: Marli Reis

A cidade dormiu.

A chama da vela tremula confessada

em sombras noturnas.

Uma escuridão silenciosa

rasgada pelo sopro do vento nas folhas

paralisa a imagem no pensamento.

As cores redondas dentro da forma

alvoroçam o prazer repleto de beleza e encanto.

O artista perplexo na platéia

em coro de contentamento e aplausos sem fim

confirma a luz na face.

Um quase sorriso,

uma dança suave,

um palco de cristal,

juntos marcam o tempo na ausência

banhada pela chuva

que parou na varanda

tão cheia de amor.


***

Órgão Vitais

Quixadá/Ce
Foto: Marli Reis




Observar é permitido
com os sentidos
ao encontro do mundo.
Nesse ponto,
vem a tempo
uma pausa
para formar laços
moldados pelas gentis mãos
do querer,
da potente força
da vontade
firmada em acordos
com o essencial
materializado em espaços
onde o sentir reserve
condições para ser
ponte.

***