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Vou seguindo, fazendo pausas, deixando a poesia me guiar, algumas compartilho por aqui.
Todas fotografias deste blog foram feitas por mim.
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31/08/2011

Telha de Vidro

Rachel de Queiroz

 

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Telha de Vidro



Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!


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Rachel de Queiroz[1] (Fortaleza, 17 de novembro de 1910Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2003) foi uma tradutora, romancista, escritora, jornalista e importante dramaturga brasileira.
Autora de destaque na ficção social nordestina. Foi primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Em 1993, foi a primeira mulher galardoada com o Prêmio Camões, equivalente ao Nobel, na língua portuguesa. Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 15 de agosto de 1994 na ocasião do centenário da instituição.

Origem: Wikipédia

25/08/2011

Cecília Meireles

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Se você errou

Se você errou, peça desculpas...


É difícil perdoar?

Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo diga...


É difícil se abrir?

Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça...


É difícil ouvir certas coisas?

Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o...


É difícil entregar-se?

Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida...

Mas, com certeza, nada é impossível...




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Cecília Benevides de Carvalho Meireles[1] (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada umas das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.

Órfã de pai e de mãe, Cecília foi criada por sua avó portuguesa, D. Jacinta Garcia Benevides. Aos nove anos, ela começou a escrever poesia. Frequentou a Escola Normal no Rio de Janeiro, entre os anos de 1913 e 1916. Como professora, estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional.
Em 1919, aos dezoito anos de idade, Cecília Meireles publicou seu primeiro livro de poesias, Espectro, um conjunto de sonetos simbolistas. Embora vivesse sob a influência do Modernismo, apresentava ainda, em sua obra, heranças do Simbolismo e técnicas do Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo, razão pela qual a sua poesia é considerada atemporal.

Origem: Wikipédia


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12/08/2011

Pensamento poético

Bem delicado
Fotografia: Marli Reis
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Um pensamento poético de Rudolf Steiner...


Tu mesmo, homem cognitivo, emotivo, volitivo, és o enigma do mundo.
o que ele oculta,
em ti se revela, torna-se
luz em teu espírito,
calor em tua alma
e a força de teu respirar.
Ela une a natureza de teu corpo
a mundos da alma,
a reinos de espírito.
ela te conduz à matéria
para que te encontres humanamente;
ela te conduz ao espírito
para que não te percas espiritualmente.

(Livro: Poemas, Pensamentos - Reflexões para o nosso tempo, coletânia organizada por Herwig Haetinger, 2ª ed, 1998)

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Sobre Rudolf Steiner: Kraljevec, fronteira austro-húngara, 27 de feveiro de 1861 — Dornach, Suíça, 30 de março de 1925 ) foi filósofo, educador, artista e esoterista. Foi fundador da Antroposofia, da Pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da Euritimia.
(Fonte:WIKIPÉDIA - a enciclopedia livre)


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