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27/06/2017

Ausência



Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drumond

23/06/2017

Cajarana


A flor do mamão. Fotografia: Marli Reis


***


Cajarana

*

Livrai-nos de toda ausência
desse senso de equilíbrio
na corda bamba
dos percalços.
Livrai-nos da luz apagada
em solidão de espera.
Livrai-nos do perigo dos abismos
que se abrem
 no inesperado da hora.
Vigia nosso sono 
enquanto o dia não vem.
Acorda o sonho medroso
dos muros altos,
dos galhos secos,
dos rios escassos,
das águas barrentas,
da sede do meio dia. 
Balança esse balanço
de cordas amarradas
no pé de cajarana.
Mas balança devagar
para a brisa passar de mansinho
no suor do rosto,
no calor das mãos.
Não saia daí,
o amanhã não vem,
o tempo parou
no amarelo do sol
cantador de músicas
de ninar.


23/06/2017

15/06/2017

Uma vez


Fotografia: Marli Reis


***


Uma vez

*

Descendo a escada
a visão é estreita,
os cuidados são necessários
como necessário é o movimento
do corpo consciente de tudo
ao redor.
Subindo a escada, 
o imponderável e inusitado
pode acontecer.
Ondas ruidosas de pensamentos
 em alerta
a ensinar sobre a vida
e tudo que ela alcança.
Para que serve a escada
diante dos galhos fortes
das árvores
 repletas de frutos
doces e convidativos?
Depois tem o silêncio 
da ventania...
Tem o balanço 
das folhas a cantar...
Tem os ninhos 
dos pássaros
 revelando a vida...
Que mais história a contar
 na silenciosa
 vastidão da relva?
Parem o trem,
 o passageiro vai ficar!

*

15/06/2017

13/06/2017

Bolinha de sabão

Festa de fim de ano - Praia do Futuro/ Fortaleza-CE

***

Bolinha de sabão

*

Tanto azul entre o céu e o mar!
Alegria solta
brincando de ser.
Suavidade de bolinha de sabão
que pipocou!
Lá longe!
Lá no céu!
Solta balão teu azul celeste!
Brinca, que brincar é caminho sem fim!
Doce tarde de gente passando
em ondas de risos.
Nem se escuta o mar
espumante...
Sol, o tempo que o tempo tem.
Música e ânimo para o ano que vem.
Chegou logo esse tempo
 de lembrar no futuro
de tantos bens!

***

Homenagem a querida amiga Luciane CP


13/06/2017

12/06/2017

Dorme a noite

Trabalho de Feltragem, por Marli Reis


***

Dorme a noite

*
Diante da parede encoberta de azul,
o teu olhar silencioso e quieto
aguarda a chegada do alvorecer.
Não carrega o laço desfeito
 das madrugadas.
Sinaliza o crepúsculo da alma, 
em alegria de chegada.
Sofre não, já que o sofrimento tornou inútil
 o futuro.
Alivia a carga, 
descansa um pouco. 
Vem, que a noite acalma!
Escuta esse coração tão ritmado
só pela possibilidade
de sonhar.


***


12/06/2017

09/06/2017

O despertar

Amanhecer em Fortaleza/CE (do outro lado tem o mar)
Fotografia: Marli Reis


***

O despertar

Em meio aos desencontros na capital,
uma convergência sem fim
acontece sem paradas obrigatórias.
O movimento ascendente permanece,
 inevitável e dinâmico.
Como descuidar das buzinas?
Como evitar os gritos dos pulmões
fortes e vigorosos
da sensatez?
Não se pode dormir
diante das sombras que se erguem 
com asas sem cor.
Parece lama o reflexo na água.
Parece, apenas, sem nunca ter sido.

***
    09/06/2017

15/12/2016

Mundo

- Entardecer em Fortaleza/CE
Fotografia: Marli Reis - 

***

Mundo


Esse mundo não é assim
como se apresenta,
é um mundo virado
em brasa,
não tem circo,
circo é coisa de outro mundo 
já passado,
mas a palavra existe
e é viva.
Algumas pessoas se divertem, 
enquanto outras choram.
Não há alegria no lamento,
já sabem os pedestres,
os padeiros e
as lagartas.
O mundo gira
 e volta a girar,
quem não aprendeu 
aprenderá.
Quem não viu, 
verá, depois de amanhã.
Quem não compreendeu,
compreenderá com a luz
do sol,
seguindo as batidas
 do compasso soturno:
dia
noite,
noite
dia, 
sol
estrelas,
lua
céu.
Olha os homens de capa
na varanda dos prédios pagos!
Não escondem seu dinheiro 
jogados ao vento,
que sopra 
em círculos,
nesse mundo.


14/07/2016

Roda de Conversa e Arte - para falar de amor


Instante

Imagens do Brasil
Fotografia: Marli Reis

***

Instante

Para transbordar nesse mistério
que vem da terra e se transforma
em fruto, em água, em flor,
o silêncio.
Para entender esse sabor
que não é amargo, muito menos é salgado,
é transformado em dose equilibrada
de maciez dentro da casca dura
com folhas pendentes no alto,
o silêncio.
Olhe a colina, olhe a duna,
olhe a montanha, olhe o vale,
e os frutos, e o verde, e as formigas
caminhando na certeza e no propósito,
enquanto esse calo aperta o sapato,
porque já nem é de ninguém.
Faz um silêncio,
que é para poder ouvir o mar
balançando as águas e os peixes,
que procuram o mesmo silêncio,
que pulsa.


13/07/2016

Na luz

O céu do quintal
Fotografia: Marli Reis

***


Na luz

Ele que fica no canto alto
da ponte segura;
ele que fala diante
de olhos atentos;
ele que lança o canto
em música suave
da cor do céu,
enquanto as borboletas dormem,
enquanto os pássaros se aquietam,
enquanto o sol anoitece,
que fique guardado
nas mãos que protege seu dia
e sua noite
em silêncio.
Ele é tudo
que estava por um fio,
que a chuva não lavou
quando molhou o quintal.
Ele é tudo
que o sopro do vento
não conseguiu juntar,
onde as pétalas coloridas
não formaram tapete
para acordar o dia
desse sonho de amanhã.

05/01/2016

Areia

Lembranças do quintal
Fotografia: Marli Reis

***
Areia


A vida seguia,
e seguindo levava
os silêncios noturnos
para o mar.
Do mar, ouvia-se as ondas,
Não havia silêncio.
Não havia pausa.
Havia a linha apontada
no horizonte.
Uma confusão de ondas.
A complexidade na areia,
parecia simples,
sem ser.


Marli Reis
***


04/01/2016

Sem pressa

Natal-RN
Fotografia: Marli Reis

***


Sem pressa

Se dentro dessa contemplação
encontrasse teu olhar pensativo,
quando as perguntas saltam
 e não clamam
por respostas...
Se dentro desse tempo coubesse 
o nosso cisne
dourado de luz,
haveria de guardar
a brisa e as cantigas
da varanda,
as mesmas silenciadas
 pelo entardecer
em quietude.
Vem doce lembrança,
leva as imagens 
que já não quero mais.
Agora é teu brincar 
que mais importa.


Por Marli Reis
***

21/06/2015

O quintal



O quintal
Fotografia: Marli Reis


*

O quintal

Para o silêncio das buzinas,
o quintal.
Para o trânsito lento ou apressado,
as folhas balançando no quintal.
Para buscar as certezas,
a calma das flores em doação.
O lado mais simples 
das horas inquietas,
 fica lá
no quintal.
Da terra, os frutos.
Da água, o refresco.
Os pássaros também brincam,
as borboletas pousam suavemente
no silêncio 
do quintal.

*

14/03/2015

É tempo



Dunas em Fortaleza, caminho do Beach Park.
Fotografia: Marli Reis

*

É tempo

Apresse o descompasso,
assim pode passar rápido
esse tempo de jamais.
Fique aí sentado
na esquina,
ninguém vai te ouvir,
o teu lugar
é aqui perto,
nesse céu claro
de braços, cortinas
cintilantes.
De onde vem esse jeito
sem nome?
Sujeito cheiroso...
Devagar no fio
cortante!
Vem, desce desse lugar
e pisa no chão,
aqui é seguro,
as serpentes
adormeceram.
Fique quieto
que meu coração
é o teu despertar.

*

12/03/2015

Planos



Fotografia: Marli Reis

*

Andava de um lado a outro
da estrada
com flores
para o meu bem,
andava perto do lago
de águas silenciosas,
um beija-flor se atirou
precipitado no jasmim.

O céu era azul do meio-dia,
a minha alma era dourada
pelas tintas da tua companhia
e do teu céu,
e contemplar os olhos
das estrelas no lago azul
era o cântico da anunciação.

*

05/03/2015

O retrato




Fotografia: Marli Reis

***

O retrato

Por enquanto
lanço o olhar
na direção certa,
apontada para 
o eterno.
Nesse canto,
há cantigas
de ninar,
de doce silêncio,
de gestos nobres,
de alegria inocente.
Naquele lado,
o verde das folhas
encanta e canta
a música
da chuva
que pinga
interminável
para abundância
de formas,
de frutos,
de descobertas,
quase sem entrar
em tua sala
ampla
de cobre.
E na parede
o aviso
igualmente encantado:
hoje é dia
de amar.
*

04/03/2015

Na rua





Natal/Rio Grande do Norte
Fotografia: Marli Reis

***

Na rua


Essa dança
não envolve
teus passos
largos
por outras
estradas.

Nem sei se
o que guardas
tem algum valor,
pois se não tem
repensas!!
Estou com sono e
vou dormir.

Amanhã vejo
as roupas 
que te apertam 
os pés.

***

Em par


Fotografia: Marli Reis

***

Em par

Esta história de amor 
começa onde os enigmas
terminam,
onde as plantas dormem,
onde os ninhos nascem,
onde a casca rompe,
onde os frutos caem.

Já chegada a hora
de subir os morros,
de correr na relva,
de dançar na chuva,
de colher as flores,
ver crescer o trigo
e se transformar 
em pão.
Depois um jantar
na tua mesa,
depois um agrado
para teu bem.

***

01/03/2015

Maduro

*


Meu piano calado, fotografia: Marli Reis

***

Maduro


Artista bonito
o trem já 
passou...
Corre, que andar faz bem!
Menino de ontem,
nem viu o navio
parado no porto
aguardando a maré
baixar...
Homem noturno,
cresceu novamente,
lançou o olhar
do alto da montanha
para o peixe
fora do aquário,
livre...
Nem se quebrou
o jarro de barro,
é forte,
feito de outra substância
invisível aos olhos
do sentido comum.
Não é esse caso,
nem precisa
 ser...
Segue, encontra aqui
as uvas do pomar,
as jóias raras e caras
do coração,
com razão,
com perdão e bênçãos
para a vida toda.
O colar tem gosto doce,
corre mel nessa vida,
de abelha rainha,
de sono desfeito,
num dia que já é
o melhor.
O tempo vai dizer
se a certeza que tenho
é só pensar em você.

***

21/02/2015

The happy day


Fotografia: Marli Reis



The happy day
.
É para além
do existente
nas estruturas
da tua mente
que aponta
a existência
do estado
daquilo que é.
É para além
do intrincado
mundo seleto
do que te constitui
que segue
o humano coração
valente e
terrivelmente sensato.
.


16/02/2015

No passado





Fotografia: Marli Reis


A imagem, no passado.
A vida, no presente.
O futuro, aguardando o aperfeiçoado.

...

09/02/2015

O verbo


Fotografia: Marli Reis


***


Era quase agosto,
silhueta em destaque,
febre de outono,
silêncio em pedra.
O verbo não conjugado,
o sino na montanha,
anúncio do entardecer.
Lua, estrelas, cigarras,
canto, céu, folhas,
ali, onde tudo é pouco,
onde o pouco desliza suave
pela noite
sem querer saber
mais nada.


***


28/12/2014

Gomo



Fotografia: Marli Reis


***

Gomo


Já o tempo corre
solto
num descompasso
de gente,
amiúde conversar
sem convencer,
só florescer
nesse jardim
as lindas rosas
brancas.
A consciência rindo
de mim
e eu a brincar
com esse perfume
espalhado
nas manhãs de sol
nas pétalas
em botão.




Mundo invisível




Nascer do sol em Fortaleza
Fotografia: Marli Reis


*

Mundo invisível


Quando escutava as folhas
ao vento...
E o sabão feito bolha
subindo ao céu
e rindo de mim,
criança sem jeito
de brincar -
já que brincar
ficou na memória 
de quem escreve
nas linhas firmes
do passado -
via o presente
trazer o aroma
das manhãs de flores
em botão.
Tão verde suas folhas!
Caiam
formando um tapete
desses que ninguém
quer pisar.
E depois de tudo
apenas escutava as folhas
ao vento...